Isabella Castro

A mudança de “ciclo” dói como um parto, tanto para quem está parindo, quanto para quem está se esticando para nascer, ou seja, o “velho” e o novo que se anuncia! Dói o corpo, a nuca, a anca, se fazem aberturas em meio ao dia. Se fazem dias de susto, constatação e vigília. A diferença é que se trata de um parto longo, às vezes questão de anos… Pode se assemelhar a um banho, uma ducha que quer se lavar, mas, não se livra da sujeira de uma vez só. Requer o tempo, requer sabedoria, até de ver o tempo passar. Num dia lava um pouco, no outro um pouquinho mais. E vai se limpando do que ficou pra trás. Entretanto, não se trata só desse tanto um tanto asséptico, mudar implica também em muito se sujar. Sujar de lágrimas, de erros, de fotografias, de imagens e memórias de alegria que precisam se organizar. É preciso se sentar no chão e com ele se misturar, junto a terra, terra mãe- primeiro parto, passagem. Hierarquia. Édipo. Lei. Incesto. Amores que ficarão, outros que não! Para mudar é preciso se lambuzar de errância e ao mesmo tempo de não significância. Simplesmente se jogar, como uma criança no colo de quem confia, se lança numa esperança de que a mudança chegará apesar de sua andança e tudo se encaixará. E, quando tudo estiver arrumado, os livros e os quadros no lugar, a palavra bem-dita, as crias concernidas e a viagem percorrida, aí sim, aí tudo se aquietará num instante de olhar simplesmente para um novo trabalho de ciclo recomeçar…

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