Isabella Castro


Apropriada circunstância política para que Wall Disney reproduzisse a história de Malévola, afinal os filtros andam rápidos no gatinho! Ops! Ato falho, gatilho seria o pulo que levanta o gato em pleno banquete aristocrático. História com H, saída pela arte cinematográfica que, com salvos deslizes de lugar comum, acaba por transportar o telespectador, que é o que importa! Através de um olhar mais profundo, a despretensa brincadeira de domingo, revela verdades de alta densidade epistemológica que varre séculos Shakespeareanos. Através da súbita beleza “negra” de Angelina Joli, o filme revela a confusa espécie que nos constitui, mediada por traços mais e menos selvagens, dependendo do ponto de vista. Aurora, a princesa sem expressão, que criada pela lenda Malévola, se conserva capaz de compreender a língua dos bichos, plantas, duendes e fadas, desmascarando assim a rainha que, em contrapartida, devidamente cafona em seus ornamentos e ideais, verbaliza as atrocidades de que é capaz um ser “ humano” quando a sede é de poder! Esta que rapidamente encontra súditos fiéis que se realizam através da crueldade do outro. Pode ser um duende de que roubaram “as asas”. Ou uma acovardada de si mesma que, a mando da rainha toca o piano com ar de orgasmo em legítima perversão enquanto são espalhados os pólens da morte. Na briga que envolve heranças, origens e tentativas de encontrar uma utópica igualdade, um reino fala mal do outro que o antecedeu, apontando os furos e flechas altas que envenenam, mas também são capazes de matar. A guerra continua e destrói muita coisa bonita, muita gente com cara de bicho e muito bicho disfarçado de gente! No entanto, há momentos em que tudo de ruim e pesado parece ter um fim… a arma do amor traz a trégua e a união, que, por um milésimo de segundo que seja, faz tudo parar. Ornar. Se encontrar. Embelezar. O amor que faz com que tudo esteja em seu devido lugar. Lugar esse que só pode ser aquele sustentado pelas diferenças, afinal do igual só se extrai alienação e colagem. Dos amantes coragem! Mais uma vez viva a arte!

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