Isabella Castro

Se de um lado a religião evita o vazio,
De outro a arte o engendra
O alimenta, dá-lhe cores, notas, cheiros, formas
A arte contorna o vazio
É da ordem do flagra que se trata
O flagra é da ordem da surpresa
A surpresa é da ordem do que não posso ter, mas tenho
Tenho na medida em que me acossa, me impele a ação
Me perturba em alta emoção
Invasão!
Freud nos conta que obteve sucesso onde o paranoico fracassou!
São vozes, espécie de sereias que perfumam o ato criativo
Vão te pintando, te achando, te chamando
Te remetendo a um mais além, mais além do princípio do prazer
Existe um “quê” de dor envolvido
A arte “organiza” a bagunça,
dá-lhe no passo a dança
a leveza da caneta
a cor do palco
a expressão da palheta
A tragédia na beleza
Sem a arte somos a evidência de um cadáver finito
Através dela, um semideus
sagrado, profano e infinito…

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