Ás vezes

Às vezes

Isabella Castro

 

Às vezes eu queria

Não fazer poesia

Não ter obedecido tanto

Minha mãe e até minha tia

Por vezes eu gostaria de sentir mais alegria que nostalgia de um não sei quê

Simplesmente acordar animada

E rir daquelas horríveis piadas

que contam por aí

Gostaria enormemente de ser despertada

Por uma vontade organizada de arrumar a casa

Mas, estou sempre pronta pra decolar

Faço muitos voos por dia

Você não acreditaria!

Às vezes fico pensando em como seria bom

Ser uma dessas moças que almoça

Pensando na janta e janta de olho no café

Tudo resumido e definido.

Ao chegar em casa eu preferiria

Enfiar o dedo na TV e não leria nada

Apenas bulas, receitas e etiquetas

Pararia o controle na pior lataria Americana

Jamais naquelas esquisitices brasileiras e europeias

Que insistem em me ver

Muitas vezes eu rezaria pra preferir maçãs

À gordas picanhas

Apreciar mais amenidades que façanhas

Chás a chopes

Muitas vezes eu gostaria que meu cabelo não balançasse tanto

E minha testa não franzisse tanto mediante os sentimentos

Ao final do dia, eu não estaria tão cansada e assustada

Simplesmente deitaria e sonharia encantada

Feito UMA PRINCESA

Não ficaria assim parada vendo a madrugada

Calada a me chamar

Provavelmente eu guardaria dinheiro ao invés de segredos

E colecionaria metais em lugar de metafísica

Às vezes eu sonho em nunca ter sonhado

Apenas passado a noite inteira só babando no lençol feito bebê

Às vezes eu gostaria de retornar na idade certa e me sujar de infância

Ao invés de ter tido que todo o deserto atravessar

É, tudo isso eu gostaria, mas…

Só às vezes.

 

 

 

9 comentários em “Ás vezes

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