TE(X)TO URBANO

TE(X)TO URBANO

ISABELLA CASTRO

FECHARA A PORTA DO CONSULTÓRIO AINDA CEDO

ERA JULHO E NÃO HAVIA MAIS O QUE FAZER POR LÁ.

FUI ATÉ  UMA PARTE NOBRE DA CIDADE

E ME PEGUEI OBSERVANDO

HAVIAM CARROS CIRCULANDO POR TODO LUGAR

MAIS CARROS QUE PESSOAS. AS LUZES COMEÇAVAM A ACENAR

E AS CORES DO CÉU A SE MISTURAR COM O BREU DA NOITE

TODOS BUSCAVAM UM LUGAR PRA SE ALOJAR

PADARIA, LOCADORA, ACADEMIA

COMEÇEI A SENTIR UMA AGONIA NO AR

COMO SE AQUELAS IMAGENS SE TRANSFORMASSEM EM TELAS

EM COISAS IRREAIS. BONECOS DE CERA, MAS DE SANGUE

IMAGINEI O HOMEM DO CARRO BRANCO CHEGANDO EM CASA

ELE ME PARECIA TÃO SOZINHO

JÁ SEU VIZINHO ESTAVA AFOBADO DEMAIS

PROVAVELMENTE BUSCARIA NA ESCOLA SEUS MENINOS

ENQUANTO SUA ESPOSA PREPARAVA O JANTAR

IMAGINEI TODOS CHEGANDO JUNTOS NA SALA DE JANTAR

SEM NADA A DECLARAR. JÁ NÃO TINHAM ASSUNTO

E O PÃO COM MANTEIGA ERA O QUE HAVIA PARA DEGUSTAR.

NADA MAIS A SE EXPERIMENTAR. APÓS A MESA O BANHO, QUASE FRIO

FRIO DE PENSAR…

LIGARIAM A TV PARA VER SE ALGUMA NOVIDADE ACONTECERIA

CHOVEM TRAGÉDIAS E PORCARIAS

TENTAM RETRATAR A VIDA PARTICULAR SEM FANTASIA

A VIDA PARTICULAR SEM FANTASIA É QUASE UMA MORTE

AINDA RESPIRANDO, ELES SE RECOLHEM EM SEUS APOSENTOS

FAZEM TUDO IGUAL HÀ ANOS

NÃO SE MISTURAM COM SEUS VIZINHOS PARA NÃO CONTAMINAR

PODE SER DE ALEGRIA OU DE TRISTEZA, O IMPORTANTE É NÃO SE CONTAMINAR

SEGUEM RETO SUAS VIDAS MAL VIVIDAS

PRESERVAM SUAS CRIAS DO REINO DA FANTASIA

MAS SENTEM AFASIA POIS JÁ NÃO CONSEGUEM NAMORAR

ELA CHORA ESCONDIDO NO PEQUENO ALTAR

ELE DESCE ENRAIVECIDO FINGINDO CIGARROS IR COMPRAR

NÃO SUPORTAM O MESMO AR

AS LUZES COMEÇAM A SE APAGAR

VAI FINDANDO O DIA

A RUA VAZIA.  O SOM DIMINUIA.

NÃO HAVIAM FLECHAS APONTADAS PARA CIMA

ESTRELAS JÁ NÃO RELUZIAM

DE NADA ESTAVA CHEIO AQUELE LUGAR

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